sábado, 28 de dezembro de 2013

ADEUS, 2013

Consequence of Sound; NPR Music; Sterogum; Pitchfork; NME; Uncut; Mojo; Rolling Stone; Q; Paste; Bizz (agora na web, viva) etc. Não pensem que não vi e ouvi outras listas com o melhor da música esse ano. Só que, ao contrário dessas listas, geralmente organizadas em torno de alguns gêneros bem próximos, a minha parte para a diversidade que tem caracterizado o THE BEST OF desde a sua primeira edição, em 2006. Aí está ela: as 20 músicas que, para mim, merecem estar no THE BEST OF 2013.

1 - EVERYDAYS (2013 REMIX) - Buffalo Springfield
Quase sempre coloco entre os melhores do ano alguma reedição. Dessa vez, minha escolha ficou com uma faixa de 1967, relançada, remixada, remasterizada esse ano. É uma música de Buffalo Springfield Again, segundo disco da banda, que saiu no monumental boxset Carry On, de Stephen Stills. A faixa prova que Stills é um supermúsico, multi-instrumentista, compositor, cantor, produtor absolutamente visionário. Apesar de ter ajudado a criar o folk rock e o country rock, além de ter formado o Crosby, Stills, Nash & Young e o Manassas, ele já trazia o jazz para o rock (em 67?). E é Steve quem toca piano na faixa, além de cantar. Surpreendente. Arrebatador. Revolucionário.

2 – CECIL TAYLOR – Jonathan Wilson
Segundo disco de Wilson, Fanfare, que continua em algum lugar da Califórnia na passagem dos anos 60 para os 70 entre cantores-compositores de Laurel Canyon. A conexão com a faixa anterior é clara: David Crosby e Graham Nash (CSN&Y) fazem os vocais principais e as harmonias. Wilson toca quase tudo. A propósito, o grande Crosby lança disco em janeiro próximo, o primeiro depois de mais de 20 anos.

3 – ACHAKA ACHAIL AYNAIAN DAGHCHILAN – Tamikrest
Música tuaregue. Resistência, hipnose, guitarras, guitarras e mais guitarras.

4 – UM A ZERO – Hamilton de Holanda e Winton Marsalis
Winton Marsalis tocando Pixinguinha. Precisa mais ?

5 – GET LUCKY – Daft Punk
Tudo já foi dito em post anterior no blog. Incontornável. Fantástica.

6 – WHITE CHERRY – Laura Veirs
Quando você pensa que ela já deu tudo, vem esse Warp & Weft.

7 – THE STARS (ARE OUT TONIGHT) – David Bowie
Nem é a melhor música de um disco em que sobressaem as baladas, mas é ótima e combinou perfeitamente na sequência da playlist.

8 – BIG LOVE – Matthew E. White
Assim como Jonathan Wilson, Iron & Wine, Bon Iver e outros, White é um daqueles músicos completos que tocam tudo, escrevem, compõem, têm estúdio próprio e produzem. Algumas das melhores coisas que você escuta hoje vêm dessa combinação. Novidade em um mercado indie repleto de opções e com poucas coisas realmente notáveis.

9 – RIDE MY ARROW – Bill Callahan
Disco do ano em algumas publicações citadas no início do post, com toda justiça.

10 – THE FACE I LOVE (Seu Encanto) – Ao vivo – Marcos Valle, Stacey Kent e Jim Tomlinson
Esperei anos até poder incluir Marcos Valle em uma lista dessas, ao lado de Stacey e seu marido Jim (sax). O único músico brasileiro que começou com a Bossa Nova, passou pelo ranço da MPB, foi sambalanço, black, jazz, instrumental, pop, eletrônico, sem nunca perder o viço e o charme. Gênio.

11- THE DESERT BABBLER – Iron & Wine
Sam Bean é o nome por trás do I&W, que acompanho desde o primeiro disco lá em 2002, mas jamais pensei que um dia sairia cantando e assobiando uma de suas músicas. Brilhante.

12 – STUPID THINGS – Yo La Tengo
Eles voltaram com Fade, disco lançado nos primeiros dias desse ano. Nenhuma surpresa: continuam ótimos como sempre – ou até melhores.

13 – LOUCOS DE CARA – Vitor Ramil
Melhor disco brasileiro do ano, Foi no Mês que Vem só saiu graças a uma ação de financiamento coletivo pela internet. O projeto rendeu um álbum duplo com uma coletânea de Ramil em que todas as músicas foram rearranjadas, songbook, projeto gráfico etc. O genial bardo solitário da Estética do Frio mostrou que é um dos melhores compositores brasileiros dos últimos 30 anos.

14 – BILLY – Prefab Sprout
Mais uma vez, a chance de incluir Prefab Sprout entre os melhores do ano – e sobre isso não restam dúvidas. Não é a banda, mas o trabalho quase solitário do dono da banda, Paddy McAloon, que está quase cego. Pop perfeito.

15 – WICHITA LINEMAN – Glen Campbell
O homem que imortalizou essa maravilha décadas atrás resolveu gravar um disco esse ano com algumas de suas melhores músicas. Sorte nossa.

16 – THIS WEIGHT – Midlake
Mais lo-fi, agora de Austin (Texas). Faixa de Antiphon, quarto disco da banda. Alguém já disse, está no Wikipedia, que a música do Midlake, sua mistura de cordas e melodias lentas, tem o poder de transportar o ouvinte a uma época em que álbuns tinham o poder de fortalecer e curar.

17 – ELEPHANT – Jason Isbell
Apesar de fazer parte do Drive-By Truckers, desde 2007 tem também uma carreira paralela, que apareceu mesmo com Southeastern, seu quarto trabalho solo. No ano passado, abriu vários shows de Ryan Adams na Europa. Faz todo o sentido. A faixa é tão boa quanto algumas das melhores de Adams.

18 – VICTIM OF LOVE – Charles Bradley
Veterano. Tem história e, consequentemente, tudo para fazer soul music como se fazia nos anos 60.

19 – LIQUID SPIRIT – Gregory Porter     
Como disse a Folha de São Paulo hoje, “voz em ascensão no jazz”. Se apresenta na próxima terça-feira, em São Paulo, mas você pode conhecê-lo antes aqui.

20 – GOODBYE, GOODBYE – Billy Bragg
Mais um bardo, agora inglês, que fecha a lista como essa maravilha de canção que também encerra Tooth & Nail – já entre os melhores muitos discos de Bragg.

Agora é com vocês. Ouçam. Gostem. Desgostem. Ponderem. Comentem no blog. Façam o que quiserem, mas tenham todos um ótimo começo de ano.

A magnífica foto da capa da setlist foi um flagrante captado por um dos fotógrafos do STF. Infelizmente, não consegui o crédito, mas fez história.




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