sexta-feira, 14 de março de 2014



A GENTE TENTA, MAS O BRASIL NÃO ESTÁ FUNCIONANDO

Como pagar minha conta do gás, que vence no dia 15 (amanhã) se o boleto não chegou, provavelmente por conta da greve dos CORREIOS ? Não vou entrar em detalhes sobre esse absurdo: monopólio, atraso, estatização ineficiente em serviços básicos para todos nós, que deveríamos ter opções além da inação notória da administração pública no Brasil. Estamos ajudando a formar um país que deveria estar funcionando, mas que não funciona, emperra e irrita em quase tudo, mas continuamos trabalhando, pagando impostos, tendo rendimentos cada vez mais suados retidos na fonte. 

Entrei no site da COMPAGAS (acho que eles não permitem o tagueamento, desculpem o neologismo, que não é bom, mas foi uma tentativa de chamar a atenção desses caras) e não consegui, não achei o lugar para imprimir o boleto ou a segunda via do boleto da Companhia Paranaense de Gás, a Compagas. Quero pagar, como sempre fiz, mas não tenho como, vocês sabem como fazer para que eu não tenha que ir ao Itaú na próxima segunda, sair de casa, enfrentar fila etc, para pagar a conta dessa companhia de segunda classe ? Coisa que sempre fiz pela internet a partir do boleto que chegava pelo Correio ? NÃO VOU AO ITAÚ. NÃO GOSTO DESSE BANCO. NÃO TENHO NADA A VER COM A GREVE DOS CORREIOS. VOCÊS DEVERIAM PENSAR NOS MILHÕES DE CONSUMIDORES QUE DEPENDEM DO SEU SERVIÇO E OFERECER UMA OPÇÃO PARA O PAGAMENTO DO SERVIÇO NA REDE, ATUALIZAR AQUELE SITE RIDÍCULO, PROTOCOLAR E INÚTIL. Entro naquela porcaria de vocês e não encontro nada, nenhuma alternativa para pagar minha conta em dia, que era tudo que eu precisava e queria. 

A rede, para quem está atenta a ela, permite e dá opções para rever estratégias e mudar rapidamente o que não está dando certo, mas parece que a COMPAGAS ainda não acordou para isso. E daí ? Vocês vão cortar o meu gás se eu não pagar em dia ? Vou pagar multa ? QUE FIQUE REGISTRADO: QUERO PAGAR MAS NÃO RECEBI O BOLETO FÍSICO. NÃO É CULPA DA COMPAGÁS. O CORREIO ESTÁ EM GREVE E O BOLETO NÃO CHEGOU. A COMPAGÁS DEVERIA DEIXAR NO SITE UMA OPÇÃO PARA ISSO. Repito: devem ser milhares de consumidores que estão com o mesmo problema. Empresa estatal, monopólio, até quando vocês vão insistir em reforçar a percepção da maioria da população de que uma empresa pública não funciona e não está, minimamente, preocupada com o usuário/consumidor ? A rede permite atualizações rápidas, correções, inovação e contato com todos os públicos envolvidos. Há uma série de ferramentas para isso, mas quem está preocupado aí na Compagas ? Pelo jeito, ninguém.

quinta-feira, 6 de março de 2014



UM FILME DO TAMANHO DA SUA BELEZA

Não gosto de indicar filmes, livros, música, o que quer que seja a ninguém. Isso é chato e, não raro, um gesto presunçoso e arrogante, como se as pessoas fossem gostar ou não gostar das mesmas coisas que você. Tô fora. No entanto, pelo que li e ouvi sobre A GRANDE BELEZA, gostaria de contrapor algumas coisas.
- SIM, o filme se passa em Roma, em detalhes e grandes planos lindos e perfeitos, mas é só um disfarce. Duvido que algum turista vá conhecer Roma pelo filme, que não mostra nada. Roma é metáfora de uma história que se perdeu.


- NÃO, o argumento e o roteiro não são frívolos (nem o filme), pelo contrário: é difícil contar a história difusa do protagonista, Jep Gambardella, escritor (ex-escritor ?) em busca do seu passado depois do primeiro livro. Jep não quer escrever o segundo romance porque não está disposto, não tem vontade e nem vê motivação para isso, mas talvez seja obrigado a isso. Jep está fazendo 65 anos, revendo sua vida e isso é muito duro para qualquer um, apesar da elegância do personagem. Roma não é mais a mesma. Jep não é o mesmo, embora continue fazendo as mesmas coisas até descobrir A Grande Beleza, no final do filme, que é mais uma pergunta. O filme é sobre perguntas, que não aparecem na forma de um ponto de interrogação. A GRANDE BELEZA deveria atrair já pelo título, entre especialistas ou não em cinema, entre quem gosta e não gosta de uma provocação, entre quem está e não está procurando uma revelação. Fica o convite, que não serve para todos e nem deveria servir. Um filme é só um filme.


- SIM, mereceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Estava torcendo por A CAÇA, porque sou professor e o filme trata da relação complicada entre professores, temas polêmicos e complexos, alunos e instituições. A Grande Beleza é melhor. Não assisti aos outros filmes indicados.


- SIM. Saí do cinema pensando em Alain Resnais, que morreu por esses dias, pura indução. Assisti a "O Ano Passado em Marienbad" há mais de 30 anos e o filme continua a ser uma incógnita que não faço nenhuma questão de decifrar. Durante todo esse tempo, sempre penso em "Marienbad" com o mesmo fascínio da primeira vez. Descobri o Novo Romance francês e escritores como o genial Robbe-Grillet, que fez o roteiro, entre outros autores que me foram apresentados pelo Karam, com livros emprestados e tudo. É isso que conta. O Karam me mostrou que um filme não é só um filme.


- NÃO - A GRANDE BELEZA está longe disso. Paolo Sorrentino não é o novo Resnais. Não vou levar o filme pelos próximos 30 anos. Hoje, ninguém tem tempo para isso. Nem eu, mas que o filme não se acaba ao final da projeção, isso é verdade. Em tempo: SIM, é uma bela homenagem a Fellini.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

HER, PLATÃO E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


Tudo é surpreendente em Her, exceto nossa patetice nas relações de amor e nas outras que mantemos com gadgets eletrônicos. O filme, escrito e dirigido por Spike Jonze, foi lançado no ano passado e está em exibição por aqui. Surpreende porque é o óbvio em um futuro breve. Se não prestarmos atenção ao tempo dedicado a smartphones, jogos e redes de relacionamento, passaremos boa parte da vida como Theodore Twombly, que se apaixona por um sistema operacional totalmente customizado instalado no seu computador. O OS, a partir do que Theodore diz para ele, vasculha a sua vida na internet, organiza documentos, fotos, e-mails e se apresenta para lembrar compromissos, conversar e fazer compania a qualquer hora do dia ou da noite, bastando ligar ou atender a uma ligação de Samantha – a voz do sistema.

Apesar do alerta, o filme não é moralista e nem faz uma crítica, pelo menos direta, ao comportamento, muitas vezes ridículo, de quem está o tempo todo teclando. Você só não vê pessoas falando sozinhas em qualquer lugar porque os aparelhos acionados por comando de voz ainda estão entre os mais caros, mas é uma questão de tempo para aquele futuro breve ultrapassar a ficção do roteiro. Jonze é inteligente demais para, simplesmente, anotar um comportamento disfuncional entre pessoas e máquinas, mesmo porque o tema não é novo.

A literatura e o cinema têm abordado esse tipo de fetiche não é de hoje. Lembra de "2001 – Uma odisseia no espaço" ? Pois é, o OS de Theodore, ao contrário do Hall9000, se impõe com graça e charme. É friendly, como dizem hoje em dia. Diverte, aconselha, vai à praia, faz sexo. Só que Samantha  faz isso com mais de 6.000 usuários, namorados, amantes etc. Ela ajuda Twombly até a assinar o divórcio para a ex, que não se conforma com a revelação da nova paixão e diz verdades duras para Theodore, com quem cresceu e se casou. Os homens não suportam aquilo que, relutantemente, chamamos de realidade. Quando ela se mostra na reprimenda da ex-mulher o choque é inevitável, mas Catherine (a linda Rooney Mara) estava certa, é claro. É preciso reconhecer: homens podem ser imaturos, previsíveis e infantis, quase sempre são. A relação com Samantha esmorece. Theodore sofre e se desespera. Tudo exatamente igual ao que acontece todos os dias na vida de cada um de nós, despreparados e afoitos para um amor maduro, se é que isso é possível. 

Her concorre a cinco Oscars, incluindo melhor filme e roteiro original, prêmio que já ganhou no Globe Awards. Talvez repita o feito em Los Angeles, onde, inclusive, o filme se passa. Justo. Se a pompa e a caretice da Academia não predominarem, William Butler e Owen Pallett (Arcade Fire) deveriam ganhar a estatueta pela melhor trilha, que além de bela reforça a nostalgia presente o tempo todo em Her. Jonze deu várias entrevistas dizendo que o figurino do filme, por exemplo, remonta aos anos 30 e 40 na América. Ao mesmo tempo, a fotografia é muito próxima das cores mais recentes do novo celular da Apple. Qualquer outra premiação seria uma surpresa, mas o mainstream da indústria do entretenimento tem surpreendido pelo que se viu na recente edição do Grammy. É esperar para ver. Amy Adams, a vizinha e amiga problemática de Theodore, concorre a melhor atriz por “Trapaça”. Joachin Phoenix, no papel de Theodore, mereceria uma indicação a melhor ator. Ele está impecável, sedutor, um dos responsáveis pelo filme alternar poesia e realidade, ternura e solidão, humor e sofrimento, muitas vezes em planos fechados de rosto, captando suas expressões de acordo com as nuances do filme. Mas Phoenix trabalhar bem não é surpresa. Scarlett Johansson, a voz de Samantha, também não. Arcade Fire, idem. 

O mais desconcertante em Her, depois das esquisitices de “Quero ser John Malcovich”, da associação com “Jackass” e da chatice de “Adaptação”, é o arco delicado  que Spike Jonze consegue traçar entre a contemporaneidade, inteligência artificial e o velho Platão. Afinal, não foi ele que concebeu o mundo sensível a partir da ideia das coisas ? Theodore Twombly é a personificação do ideal platônico a comprovar que não nos apaixonamos pelo outro, mas pela ideia do outro; pela ideia, inata, do amor e da própria paixão. De lá para cá, passados quase 3.000 anos, Platão ainda incomoda, já que pouco se fez para mudar o que realmente somos.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

AINDA É CEDO, MAS 2014 JÁ COMEÇOU





2014 nem bem começou e já tem uma muralha de sons, não exatamente intransponíveis. Pelo contrário, por algumas coisas você pode passar tranquilamente. Por outras, tem que esperar aguardar o sinal e ouvir um pouco mais. A chamada crítica especializada não perdeu tempo e, desde o final do ano passado, começou a fazer suas apostas para os lançamentos e relançamentos previstos para esse ano. Por enquanto, são quase 200 títulos. O número nem assusta se você considerar que estão aí bandas e artistas consagradas (U2 e Adele, por exemplo) e uma série de outros títulos entre o indie mainstream (parece uma contradição, mas é a pura realidade do mercado), os independentes mais novos, o pop assumido e em alguns dos seus disfarces mais elaborados. O que vai sobreviver até o final do ano ? O que sobrará para a eternidade e para a contar a história da sua vida ? Não faço a menor ideia, mas isso é com você e vai tempo. Talvez um ano não seja suficiente.



Minhas apostas, por enquanto são óbvias, mas o ano só está começando: RYAN ADAMS, BECK, DAMON ALBARN, FLEET FOXES, HOLD STEADY, WILCO, JOHNNY CASH.
Apostas mais ousadas, mas nem tanto: BROKEN BELLS, STEPHEN MALKMUS & THE JICKS, SUN KIL MON.
Apostas que gostaria de ganhar: BECK, GRIMES, JOANNA NEWSOM, CARIBOU e PARKET COURTS.



Em todo caso, vá lá e comece a tirar suas próprias conclusões: listas e mais listas; resenhas, clipes, fotos etc.












Se tiver mais alguma coisa, mande para cá.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MAIS DO MELHOR DA MÚSICA EM 2013



Fácil, fácil, faria mais uma lista com os melhores de 2013 com o que está aqui, além da setlist do THE BEST OF do ano publicada aqui. Se quiser ouvir mais e renovar suas playlists, vai lá.

- About FarewellALELA DIANE
- AMARCTIC MONKEYS
Ainda não entendi o hype todo: o disco “negro” dos AM? Falta muito para isso.
- NewPAUL McCARTNEY
Ouça atentamente “Appreciate”. 
- BeBEADY EYE
Ok, Liam, você pode.
- Sound the Alarm BOOKER T
- Clychau DibonCATRIN FINCH & SECKOU KEITA
 - LysandreCHRISTOPHER OWENS
 - Jungle RevolutionCONGO NATTY
- If Not Now, Then When ?ETHAN JOHNS
- Field ReportFIELD REPORT
-Welcome OblivionHOW TO DESTROY ANGELS
- Pale Green GhostsJOHN GRANT
- The Ballad of Boggie ChristJOSEPH ARTHUR


- Walkin On a Pretty DazeKURT VILE
- StandardsLLOYD COLE
- Rewind The FilmMANIC STREET PREACHERS
 - Sketches of EthiopiaMULATU ASTATKE
- The Worse Things Get, The Harder I Fight, The More I Love YouNEKO CASE
- The Nature of ThingsTHE DAREDEVIL CHRISTOPHER WRIGHT


- Trouble Will Find Me – THE NATIONAL  
- Field of ReedsTHESE NEW PURITANS


- (Awayland) VILLAGERS
- RepaveVOLCANO CHOIR
- Corsicana LemonadeWHITE DENIM
- The Same SunSHARON CORR
- Reflektor ARCADE FIRE
- Samba RussoHOMEM CANIBAL
- Amok ATOMS FOR PEACE
- More LightPRIMAL SCREAM
- HowlinJAGWAR MA
- ForeferlyBILLIE JOE ARMSTRONG & NORAH JONES
- Man & MythROY HARPER
- Right Thougts, Right Words, Fight ActionFRANZ FERDINAND
- Comedown MachineTHE STROKES
- YeezusKANYE WEST
- Among the GreyCHEYENNE MIZE
- Floating CoffinTHE OH SEES


- Loud City SongJULIA HOLTER
 - The Stand-In CAITLIN ROSE
- MuchachoPHOSPHORESCENT
- Tales of UsGOLDFRAPP
 - Wise Up Ghost And Other SongsELVIS COSTELLO AND THE ROOTS

DOIS GRANDES FIASCOS DE QUEM SE ESPERAVA MAIS

JANELLE MONÁE e sua viagem em “The Electric Lady”. Ok, tem PRINCE em Givin Em What They Love, e até ESPERANZA SPALDING em Dorothy Dandridge Eyes. O problema é que Janelle não conseguiu fazer nada melhor, ao contrário, do que “The Archandroid” – disco de estreia absolutamente perfeito. Por isso, a expectativa era grande. Se não continuar se afundando na pretensão, tem chance de fazer coisa muito melhor. Sobre Prince, veja o que ele fez no ano passado - está tudo no seu site.

JOHN LEGEND é o mesmo caso. Sabemos que ele é bom, mas “Lover In The Future” é dispensável, fraco e chato.