sexta-feira, 27 de dezembro de 2013


“e começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso
e aqui me meço quando se vive sob a espécie de viagem o que importa
não é a viagem mas o começo da por isso meço por isso começo a escrever...”

(Galáxias – Haroldo de Campos – Ex Libris – São Paulo – 1984)



“Tus textos son verdadeiras galáxias: fosforescências semânticas entre lo blanco del papel y lo negro...”
(Octavio Paz, 1970, a respeito dos fragmentos do que viria a ser Galáxias em Change 4, Paris)

“Compus Jokerman nas ilhas (caribenhas). É muito mística. As formas e as sombras parecem tão antigas.”
(Bob Dylan, 1984)



O nome do blog é uma referência explícita a Dylan porque queria acontecimentos que não pude esquecer, coisas das quais nunca consegui me desfazer, ao contrário dessa fissura chatérrima por novidades. Jokerman, Galáxias, Haroldo, Octavio Paz, o próprio Dylan voltaram agora, nesse final de ano, para imporem mais uma vez sua força, permanência e novidade. Foi também uma coincidência em torno de 1984. Galáxias, leitura de todos os anos na época de festejos e promessas de final de ano, é de 84. Infidels, o disco de Dylan que abre com Jokerman é de um ano antes, mas repercutiu em 84. Tem os jamaicanos Sly Dunbar e Robbie Shakespeare (bateria e baixo); Mick Taylor (Stones na sua melhor fase) e Mark Knopfler (Dire Straits) nas guitarras. Apesar do título, Bob ensaiava sua reconversão ao judaísmo depois de controversa aproximação com o fundamentalismo cristão, gravando uma base reggae para uma canção infinita. A capa de Infidels é uma foto de Sara, casada com Dylan na época, para o Bar Mitzvah de Jesse, um dos filhos do casal. Terminei de ler a trilogia IQ84, de Haruki Murakami, que se passa em 84. Relia dia desses as conferências de Octavio Paz na Universidade de Harvard, entre 71 e 72, sobre poesia moderna, traduzidas no Brasil por Olga Savary e publicadas em 84 no magistral Os Filhos do Barro, pela Nova Fronteira. Acho que estou interessado em coisas infinitas, vamos conversando, se for o caso.
O THE BEST OF 2013 também será publicado aqui nas próximas horas. Não é uma explicação, pelo contrário.

2 comentários:

  1. megabacana tudo por aqui !! vou acompanhando. Jokerman é uma obra-prima, e me desculpem se exagero, incontestável.Escreve sempre seu jokerman.

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    1. Concordo, Silvio, absolutamente incontestável, sem dúvida. Obrigado pelo apoio.

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